sexta-feira, agosto 11, 2017

Memória da Quinta-feira de Ascensão



Mas afinal quando é a Quinta-feira da Espiga? A menina Guida já explicou na Doutrina que é 40 dias depois da Páscoa, comemorando a altura em Deus Nosso Senhor subiu aos Céus. Mas a menina Idalina, que dá a Doutrina ao grupo das mecinhas, disse que não são bem os 40 dias, mas sim catorze semanas a partir da Páscoa. A Senhora Marquinhas, que é quem manda na Doutrina, é que sabe. E ela diz que o que vem na Bíblia são os 40 dias.

­ - Ê cá na sê bem! O qu’ê sê é que amanhão vamos ó campo apanhar os raminhos de espigas.

Combinei com os amigos Carsalberto e João irmos dar a volta no intervalo do almoço da escola, qu’é quando tudo pára por causa de ser o “dia da hora”. Vamos começar pela Barrada com o trigo, donde se faz o pão, e as papoilas que estão no meio do trigo e são da cor do coração. Descemos à horta do Ti Saroidinho pr’ós raminhos de oliveira, para não faltar o azête. Junto à vala, na várzea, apanhamos os malmequerzinhos amarelos que, diz a minha tia, é p’ra não faltar o dinheiro. No mê quintal vamos apanhar as folhas da minha parrêra que, diz o mê pai, é p’ra não faltar o vinho.

‑ Atão e os bocadinhos de rasmono? – Intervém o Casalberto. ‑ Temos de dar um salto lá por trás, ao pé da Fonte das Mentiras ou no caminho do Vale Palhêro. Lá é que há, qu’ê sê! É por lá que o vão apanhar p’rá fogueira do Sant’António. Ouvi-os a combinarem.

‑ E se eles já o foram apanhar para pôr a secar ao pé do mastro? Se calhar podemos ir roubar uns bocadinhos, qu’é pr’ó ramo cheirar bem! – Era o João a querer poupar a caminhada.

‑ Tás mas é parvo! Levavas logo qu’era p’ra aprenderes!

‑ Quantos raminhos vão fazer? Ê cá preciso de dois: um p’rá minha mãe e outro p’rá minha tia. Qu’é p’ra porem atrás da porta e trocarem pelos velhos qu’inda lá tão!

‑ A gente já na tem nenhum. – Lamentou o João. ‑ Nã sê que jêtes, mas a minha avó queimou-o pr’á Santa Bárbara quando vieram as travoadas.

‑ Atão já sabem, amanhã na hora do almoço…


sexta-feira, abril 07, 2017

DIÁSPORA

Patrícios "Alzurenses" têm vindo a reunir-se na Margem Esquerda (do Tejo), maioritariamente na Associação Nacional de Fuzileiros, no Barreiro.
Ontem teve lugar mais uma dessas reuniões que juntou, à mesa, 22 convivas, tendo 5 dos presentes se deslocado directamente de Aljezur para participarem no evento.
Pela primeira vez teve uma presença feminina: a Celeste Pacheco rompeu a timidez e iniciou a participação das senhoras.

O encontro vai-se repetir em Junho, no dia 14, no mesmo local.

Como convém inscreverem-se, por razões meramente logísticas, poderão fazê-lo junto dos aljezurenses Manuel F. Conceição (96 610 53 99) ou Carlos Martins Nascimento (91 543 00 07).





quinta-feira, agosto 18, 2016

Ainda sobre o uso da Língua Portuguesa

Muito se queixaram os algarvios quando, há uns anos atrás, se praticava com grande exagero o uso do inglês nos diversos estabelecimentos hoteleiros da nossa faixa. Finalmente neste ramo perceberam que uma considerável parcela da sua clientela pertencia aos veraneantes internos, falando "bom" português, e readaptaram-se, acho eu; sei lá!

Mas sobreveio o uso (e abuso) de terminologia anglo-saxónica, agora feita moda!

Até a nossa Câmara se rendeu!
Veja-se o cartaz dos festejos do Feriado Municipal em:

http://www.cm-aljezur.pt/pt/noticias/1401/aljezur-comemora-mais-um-feriado-municipal.aspx

- É o Dress Code, estúpido! - digo de mim para mim - O Código da Vestimenta!
- Branco!?
- É o código das cores, logo o código da cor branca. - Explico que é o RGB, ou seja, Vermelho, Verde e Azul, código de "construção de cores" - Vais de 255, 255, 255, ou em hexadecimal, FF,FF,FF!
- Ca ganda confusão, meu!!! Vou escolher um camiseta FF, tamanho XL (outro código)!
- Se te dissessem "Vai de Branco" não tinha a mesma piada, além de que toda a gente iria perceber. Mas dress code é qualquer coisa que só os iniciados percebem, assim se distinguem...

Pois é, se fosse em português, ou em algraviês, tudo se perceberia melhor... democraticamente.

Já o outro senhor, o dos Porcos, dizia que "alguns são mais iguais que outros"...

terça-feira, agosto 09, 2016

PORTUGUÊSmente

Falar português ou estrangeirês? Português, empresariês, farmaticês.

Há muitos, muitos anos, que leio bulas de medicamentos. O que lá procuro? Pois por dentro dessa linguagem tão específica, aprendi a distinguir a Posologia, os Efeitos Secundários e pouco mais. Estes folhetos têm melhorado muito ao longo do tempo, adoptando, pelo menos nestes parágrafos, uma linguagem mais comum, mais facilmente entendível.

Mas e a imprensa?! Exige à partida uma familiarização com diversas terminologias, igualmente específicas, em textos obviamente destinados a diversas categorias de leitores, mas nem por isso afastam os leitores mais vulgares.
O Português é uma língua riquíssima, dispõe da palavra certa para cada situação, mas a moda de importar termos quase sempre de origem anglo-saxónica, é levada a um exagero insuportável. E então na área das tecnologias até já levou que os amigos brasileiros introduzissem o termo mídia, na ânsia de assumirem as sugestões da mal-pronunciada media (em inglês).

Seguem alguns exemplos, extraídos apenas de um exemplar de um conhecido e conceituado semanário da nossa praça jornalística. Tão somente num artigo do seu suplemento de Emprego extraímos as seguintes frases… assim como estão, sem (necessidade de) contextualização:
<<
…possivelmente a aproximarmo-nos de um esgotamento ou, como se diz agora, de um burnout!...
…conhecimento de Supply Chain e do modelo Lean Manufacturing, visão integrada de negócio (com todos os stakeholders).
A empresa Xyz é uma startup avaliada em mais de mil milhões de euros.
…formar jovens talentos que integrarão o Plug-In, o primeiro programa de trainees.
A senhora lidera uma equipa que prefere lhe chamem a “People Team”.
…e há uma equipa que se dedica em exclusivo a potenciar o bem-estar e motivação e que se designa “Make it Happen Team”.
…as vagas estão abertas para “Senior .Net Developers”, “DBA’s” “Performance”.
…diferentes perfis Software Testers”, “QA Automation”, ”Dev/Ops”, “Performance Engeneers”, “Release Engeneers”, “Scrum Masters”, “Product Owners”, “UX”, “Digital Designers, e ainda, “People Business Partners, Talent Acquisition Specialists”, “Account Managers”, “Customer Services Agents”, fluente em línguas (?) Operations e Finance.
Os seleccionados devem especializar-se em áreas como Quality Assurance Automation, UI Development e .Net Development.
…o programa cumpre um plano de formação comportamental (soft skills) e formação on-job complementar.
>>
<<
No mesmo suplemento, mas num outro texto sobre Seguros vem dizendo:
Tornar as estruturas mais leves no que concerne aos workflows internos…;
…o sector tem mais funções de new business ou business development…;
…apostar mais em profissionais focados em employee benefits.
>>

Hábito ou presunção?
Para já não falar na restauração. Desapareceu a profissão de cozinheiro e agora todos são chef, sem o e final, para não se confundir com qualquer designação hierárquica.
E até várias associações e empresas neófitas se constituem com nomes em inglês, mais sonantes, sobretudo quando se referindo às suas áreas de actividade. Como se a língua portuguesas não dispusesse dos vocábulos adequados ou, se os usassem, corressem o risco de não virem a ser compreendidos.

Então porquê as lamentações de que o ensino do português em países doutras expressões está a perder o interesse? Se no próprio país a sua utilização é “com toda a propriedade e facilidade” ultrapassada pelos termos da moda.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Estórias Barlaventinas e outras

Finalmente!

Deu à costa o livrinho "Estórias Barlaventinas e outras" da autoria do nosso colaborador blogueiro Carlos Ene, relatando memórias da sua meninice e adolescência em Aljezur, no terceiro quartel do século passado.

Algumas já por aqui andaram e pelo Jornal Algarzur, embora em formato um pouco abreviado por mor do espaço, sempre, e assinadas pelo pseudónimo internético/jornalístico de Xico Vic, estão agora à disposição em versão inteiriça.

Os aljezurenses mais "vividos" reconhecerão os sítios e os costumes e, eventualmente, alguns dos protagonistas.

As Outras estórias que completam a edição são relatos da ruralidade do Sotavento alentejano.

É uma edição simples e despretensiosa pela Sinapsis Editores que pode ser solicitada ao autor para os mails carlos.ene@gmx.com ou xicovic@gmail.com. O custo são uns simbólicos €7,50 (portes incluídos).


sexta-feira, setembro 11, 2015

A Homenagem: "SEMPRE PRESENTES!"

Conforme anunciado, realizou-se em 29 de Agosto de 2015, junto ao edifício da Câmara Municipal de Aljezur, o destapamento do Monumento que homenageia, finalmente, os aljezurenses que morreram em combate nas Guerras que tiveram lugar nos territórios da Índia, Angola, Guiné e Moçambique.

A cerimónia reuniu em Aljezur altas individualidades militares e civis, nacionais e regionais, familiares dos mortos e ainda numerosa assistência.

Os homenageados foram chamados e a assistência respondeu "Presente!" por cada um deles, e a sua memória será assim preservada, na pedra, com a dignidade que lhes é devida.

A aterragem de três para-quedistas de excelência, transportando as bandeiras da Liga dos Combatentes, do Concelho e Nacional, encerraram as cerimónias.

A iniciativa foi do Núcleo da Lagoa/Portimão da Liga dos Combatentes que, desta forma, se substitui ao Estado na homenagem aos seus mortos.

O Castelo, ex libris da Vila, recebeu finalmente a Bandeira Nacional, dando-lhe o devido destaque e visibilidade.


A Guarda de Honra e, ao fundo, o Monumento ainda tapado.


O destapamento


O Monumento


segunda-feira, julho 13, 2015

HOMENAGEM AOS MORTOS NA GUERRA DO ULTRAMAR do Concelho de ALJEZUR

na manhã do dia 29 de Agosto, Feriado Municipal



Conterrâneos e Amigos de Aljezur:

Em Homenagem aos naturais de Aljezur que morreram na Guerra do Ultramar, a Câmara Municipal, a Liga dos Combatentes (Núcleo de Lagoa/Portimão), a Associação de Defesa do Património e a Comissão de Honra constituída para o efeito, vão inaugurar um Monumento Evocativo, erigido no espaço contíguo ao edifício da Câmara Municipal.

A Cerimónia terá início pelas 11:00 horas e, para além de várias individualidades civis, contará com a presença de entidades militares nacionais e regionais em representação dos três ramos das Forças Armadas, incluindo Guarda de Honra e lançamento de paraquedistas.

Face à importância e dignidade da cerimónia assim como à sua originalidade, apela-se à comparência e participação de todos os conterrâneos e amigos de Aljezur.

sexta-feira, maio 08, 2015

Retratinhos "Alaminuta"

Há uns dias que ando a dar voltas às caixinhas dos retratos legadas por vários familiares que já partiram.

Não sendo muito antiga, mas ainda assim a cumprir os 47 anos, veio à tona esta fotografia. Até podia ser uma competição, mas não. Ao que me constou, este grupo da velha guarda decidiu apenas fazer uma caldeirada. É claro que, das duas uma, ou pescavam para o repasto, ou levavam o pescado já preparado. Não havendo meios-frio para a conservação, nem telemóveis para minorar as faltas, a auto-confiança fez jus e foi uma bela duma caldeirada. Os garrafões do belo rosado da região, já estavam enterrados na areia, para refrescar naturalmente.

O sítio que garantia a pescaria é a Praia da Pipa.

Então vejam lá se os conhecem. Falham-me alguns, pelo que apreciarei a ajuda.


segunda-feira, dezembro 22, 2014

Homens na Falésia

Ano de 1963. O João Serrote, o Moreira, o Zé Marques e o Arnaldo Claro, dão-nos aqui uma mostra de como se fazia a "pesca" do percebe e dos riscos que essa actividade envolvia (envolve?).

Foi graças ao Paulo Alves, que promoveu a divulgação no FaceBook, que vim a ter conhecimento desta preciosidade e não resisti à sua divulgação também nesta plataforma.

Para visualizar, clique a seguir. Se houver alguma interrupção, controle e salte alguns segundos.




sábado, setembro 27, 2014

A ciência da mentirinha ou a mentirinha da ciência


A notícia publicada pelo Sul Informação e que foi divulgada pela Elisabete Rodrigues na rede social FaceBook no grupo “Aljezur, imagens de um concelho” de que também sou membro chamou a minha atenção.
Os números não mentem, mas a forma como são apresentados, neste caso de forma absoluta, podem iludir o seu verdadeiro significado, face à sua consideração em termos relativos.
Aqui fica uma pequena divagação sobre o tema, independentemente de não se fazer um ajuste do conceito de desempregado que, para o IEFP tem um significado mas que, socialmente, pode ter muitas outras interpretações. Basta lembrar que se um sujeito que não encontra trabalho não estiver inscrito no Instituto de Emprego, esta organização desconhece-o e, consequentemente, não entra na estatística, ou ainda, mesmo estando registado mas se for “deslocado” para uma formação ou para um estágio(zinho), também passa a ser considerado noutra categoria, e etc., etc..
Resultados (na net) de um censo de 2012, que poucas alterações terão para a actualidade, levaram-me a calcular a relação entre o número de desempregados e a população, chegando assim a umas percentagens da população de desempregados face à totalidade da população.
Numa perspectiva diferente.
Com efeito, considerando apenas o número de desempregados, Aljezur aparece relativamente bem posicionado 14º lugar, com apenas 225 desempregados, separado somente por dois outros concelhos para a melhor marca.

Concelhos
 Num Habit 2012
Desempregados
% Desemp




Faro
62 281
3 223
5,17%
Portimão
55 209
3 196
5,79%
Loulé
69 824
2 963
4,24%
Olhão
45 216
2 312
5,11%
Albufeira
40 190
1 265
3,15%
Silves
36 724
1 237
3,37%
Vila Real de Stº António
19 067
1 123
5,89%
Lagoa
22 783
1 110
4,87%
Lagos
30 776
1 038
3,37%
Tavira
25 753
963
3,74%
S. Brás de Alportel
10 552
446
4,23%
Monchique
5 755
301
5,23%
Castro Marim
6 588
263
3,99%
Aljezur
5 724
225
3,93%
Vila do Bispo
5 223
100
1,91%
Alcoutim
2 725
66
2,42%


444 390
19 831
4,46%

Porém, esses 225 desempregados representam uma percentagem da população superior à de outros 6 concelhos do Algarve, passando Aljezur para um menos modesto 10º lugar.
Concelhos
 Num Habit 2012
Desempregados
% Desemp




Vila Real de Stº António
19 067
1 123
5,89%
Portimão
55 209
3 196
5,79%
Monchique
5 755
301
5,23%
Faro
62 281
3 223
5,17%
Olhão
45 216
2 312
5,11%
Lagoa
22 783
1 110
4,87%
Loulé
69 824
2 963
4,24%
S. Brás de Alportel
10 552
446
4,23%
Castro Marim
6 588
263
3,99%
Aljezur
5 724
225
3,93%
Tavira
25 753
963
3,74%
Lagos
30 776
1 038
3,37%
Silves
36 724
1 237
3,37%
Albufeira
40 190
1 265
3,15%
Alcoutim
2 725
66
2,42%
Vila do Bispo
5 223
100
1,91%




Total
444 390
19 831
4,46%
Mas, conclua-se, a região do Algarve está, percentualmente, afastada das médias nacionais (13,9% no primeiro semestre 2104). 

Para melhor compreensão, também convinha considerar a sazonalidade do emprego na região, entre outros factores cujo estudo e desenvolvimento não cabe nesta superficial avaliação. Quem sabe... um dia.