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segunda-feira, maio 23, 2022

5. COMO SE DESCREVIA ALJEZUR EM 1927

                                                                                                                                     por CarlNasc

 

DOMINGO, MARÇO 20, 2011

Turismo - Guia de Portugal


Viajar, nos dias de hoje, não representa qualquer dificuldade para a maioria dos classemedianos portugueses, mas tempos houve em que viajar era um privilégio de muito poucos.
Raul Proença teve esse privilégio e, esse privilégio foi-nos transmitido por podermos aceder ao seu Guia de Portugal, obra em que o mestre socialista e republicano publicou com as suas notas de viagens e estudos históricos e geográficos que fizeram desta obra um verdadeiro guia turístico. A primeira edição da Biblioteca Nacional de Lisboa, saiu em 1927.
 
Como curiosidade, deixo aqui em excerto as poucas linhas dedicadas a Aljezur a pp. 309:


"Aljezur, vila pequena e pobre, com 4160 hab., sede de conc. (Hosp. Margarida Pardal, Maria Matos; dia fer. 29 de Agosto), tomada aos Mouros por D. Paio Peres Correia no reinado de D. Afonso III. D. Dinis deu-lhe foral em 1280, que D. Manuel renovou em 1504. Fica na encosta E. dum escarpado cerro, em cuja base passa a ribeira de Odesseixe (deve ser a ribeira de Aljezur).  Do castelo mourisco apenas se conservam hoje algumas ruínas, na parte mais elevada da colina, ao S. Aljezur é tida como o sítio mais insalubre do Algarve (febres intermitentes).
A 6 km. de Aljezur as praias do Monte Clérigo e da Pipa; a 7 km. a da Arrifana, ou da Fortaleza."

E algumas páginas mais adiante (pp. 320):

"Ao N. da Ponta da Carrapateira estende-se a vasta praia desse nome. "Passada a praia, eleva-se outra vez a terra até a Arrifana. A enseada da Arrifana fica entre duas pontas: ao N. a da Arrifana; perto da ponta S. a Pedra da Anixa. Ao N. da Ponta da Arrifana a foz da ribeira de Aljezur, e ainda a N. a de Odesseixe. A costa é por ali tão alcantilada e o mar tão encapelado que nem os pescadores lhe podem chegar. Os pobres habitantes destes sítios, com muito risco de vida, pescam algum peixe para seu mesquinho sustento e apanham os perseves que por estas rochas desde o cabo se criam. Nestas também se encontram grandes mexilhões. Há grandes furnas por esta costa."

Set2020 por CarlNasc

 

sexta-feira, maio 07, 2021

6. ALJEZUR NA GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA EM 1936

 

por CarlNasc




Já em 1936 a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira dá uma informação muito mais completa do que o Guia de Portugal, nove anos antes, e inclui um mapa do concelho e até uma fotografia panorâmica da vila, tirada da estrada na proximidade da Quinta de S. Sebastião (Casa Cintra).

Começa com uma descrição administrativa, com o número de habitantes (6.661 no total, sendo 4.424 na vila), e passa às características geográfico-histórico-turístico-paisagísticas. Aí refere três magníficas praias: “a do Monte Clérigo, notável pelos variados e imponentes recortes da costa, especialmente a Ponta da Rocha e o Penduradoiro; a da Pipa, praia pequena mas onde abunda água potável, aconselhada para doentes do estômago; e a da Arrifana, em cuja baía, de grande beleza, se encontra a Pedra da Agulha, rochedo limado pelo mar que lembra o objecto de que tirou o nome”.

Refere a tentativa do bispo do Algarve D. Francisco Gomes de Avelar de obstar à insalubridade da vila, pretendendo mudá-la para um sítio “mais arejado”, e que mandou construir (às suas custas) uma igreja e algumas casas para o padre, sacristão e outros ajudas.

Os elementos históricos descritos são os habituais, e que ainda se mantêm sem contestação: a fundação árabe, a conquista por D. Paio Peres Correia na madrugada de 24 de Junho de 1246, a ruína do castelo pelo terramoto de 1755, e os forais de D. Dinis e de D. Manuel.

Curiosamente, informa da existência de três minas de cobre na freguesia mãe, uma no Cerro do Rossio, outra no Cerro da Amendoeirinha e outra ainda no Cerro do Penedo.

Sobre a etimologia de Aljezur, evoca o Prof. David Lopes que defende “derivar da palavra árabe Aljçur, plural de Aljiçr que significa Alcântara, a ponte”, referindo também os registos em documentos oficiais de 1267, onde consta a forma Aliaçur, e noutros de 1272, as formas de Aliazur, dando Aljezur.

O texto desta enciclopédia termina com a descrição heráldica das armas, da bandeira e do selo, conforme o parecer da Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e está definido na portaria nº 8.362 de 17 de Fevereiro de 1936.

É curioso o artigo indicar na Bibliografia o Guia de Portugal de Raúl Proença 1936 que referimos no nosso anterior texto.

A mesma Enciclopédia, numa nova entrada do mesmo termo, oferece-nos esta curiosidade nobiliárquica:

1º Visconde de Aljezur, Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, nasceu no Brasil em 1820, e desposou a senhora D. Maria Rita de Noronha. O rei D. Pedro V concedeu à dita senhora o título de 1ª Viscondessa de Aljezur em 1858 e autorizou o seu marido a usar o referido título. Este título e autorização foram confirmados no Brasil por sua Majestade Imperial. O casal não teve descendência e o título deixou de ser referenciado.

 

FEV2021 por CarlNasc

sexta-feira, agosto 11, 2017

Memória da Quinta-feira de Ascensão



Mas afinal quando é a Quinta-feira da Espiga? A menina Guida já explicou na Doutrina que é 40 dias depois da Páscoa, comemorando a altura em Deus Nosso Senhor subiu aos Céus. Mas a menina Idalina, que dá a Doutrina ao grupo das mecinhas, disse que não são bem os 40 dias, mas sim catorze semanas a partir da Páscoa. A Senhora Marquinhas, que é quem manda na Doutrina, é que sabe. E ela diz que o que vem na Bíblia são os 40 dias.

­ - Ê cá na sê bem! O qu’ê sê é que amanhão vamos ó campo apanhar os raminhos de espigas.

Combinei com os amigos Carsalberto e João irmos dar a volta no intervalo do almoço da escola, qu’é quando tudo pára por causa de ser o “dia da hora”. Vamos começar pela Barrada com o trigo, donde se faz o pão, e as papoilas que estão no meio do trigo e são da cor do coração. Descemos à horta do Ti Saroidinho pr’ós raminhos de oliveira, para não faltar o azête. Junto à vala, na várzea, apanhamos os malmequerzinhos amarelos que, diz a minha tia, é p’ra não faltar o dinheiro. No mê quintal vamos apanhar as folhas da minha parrêra que, diz o mê pai, é p’ra não faltar o vinho.

‑ Atão e os bocadinhos de rasmono? – Intervém o Casalberto. ‑ Temos de dar um salto lá por trás, ao pé da Fonte das Mentiras ou no caminho do Vale Palhêro. Lá é que há, qu’ê sê! É por lá que o vão apanhar p’rá fogueira do Sant’António. Ouvi-os a combinarem.

‑ E se eles já o foram apanhar para pôr a secar ao pé do mastro? Se calhar podemos ir roubar uns bocadinhos, qu’é pr’ó ramo cheirar bem! – Era o João a querer poupar a caminhada.

‑ Tás mas é parvo! Levavas logo qu’era p’ra aprenderes!

‑ Quantos raminhos vão fazer? Ê cá preciso de dois: um p’rá minha mãe e outro p’rá minha tia. Qu’é p’ra porem atrás da porta e trocarem pelos velhos qu’inda lá tão!

‑ A gente já na tem nenhum. – Lamentou o João. ‑ Nã sê que jêtes, mas a minha avó queimou-o pr’á Santa Bárbara quando vieram as travoadas.

‑ Atão já sabem, amanhã na hora do almoço…


sexta-feira, agosto 15, 2014

Mais de antigamente...

Em dia de Festa não podia faltar a procissão, ou melhor, as procissões, pois na altura os santos mereciam mais respeito e devoção. Saía uma da Igreja Matriz (a Nova) e outra da Igreja da Misericórdia. No ponto de encontro havia sermão inflamado pelo Pe. Oliveira, ou seus sucessores após a sua ida para Lagoa. As mulheres comoviam-se e os homens, suspendiam o copo e o cigarrito, e lá tiravam o chapéu, tementes na generalidade, que os santos fazem milagres mas também castigam...

Esta é a fotografia possível, registando a viagem da padroeira Senhora D'Alva, do seu altar habitual ao encontros de outros membros da família residentes na vila velha: o Filho, a prima Isabel e o João.


Procissão da Senhora D'Alva em Setembro de 1965

quinta-feira, agosto 14, 2014

Antigamente...

Vasculhando a caixinha dos retratos num momento de viagem nostálgica, aqui fica a primeira duma série de memórias que se hão-de vir a publicar, de-va-gar-men-te, para manter activo o bichinho da saudade no pessoal daquele tempo.



Aljezur, Largo da Igreja Nova - Jogos Tradicionais em dia de festa - 13 de Setembro de 1965