Há uns dias que ando a dar voltas às caixinhas dos retratos legadas por vários familiares que já partiram.
Não sendo muito antiga, mas ainda assim a cumprir os 47 anos, veio à tona esta fotografia. Até podia ser uma competição, mas não. Ao que me constou, este grupo da velha guarda decidiu apenas fazer uma caldeirada. É claro que, das duas uma, ou pescavam para o repasto, ou levavam o pescado já preparado. Não havendo meios-frio para a conservação, nem telemóveis para minorar as faltas, a auto-confiança fez jus e foi uma bela duma caldeirada. Os garrafões do belo rosado da região, já estavam enterrados na areia, para refrescar naturalmente.
O sítio que garantia a pescaria é a Praia da Pipa.
Então vejam lá se os conhecem. Falham-me alguns, pelo que apreciarei a ajuda.
sexta-feira, maio 08, 2015
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Homens na Falésia
Ano de 1963. O João Serrote, o Moreira, o Zé Marques e o Arnaldo Claro, dão-nos aqui uma mostra de como se fazia a "pesca" do percebe e dos riscos que essa actividade envolvia (envolve?).
Foi graças ao Paulo Alves, que promoveu a divulgação no FaceBook, que vim a ter conhecimento desta preciosidade e não resisti à sua divulgação também nesta plataforma.
Para visualizar, clique a seguir. Se houver alguma interrupção, controle e salte alguns segundos.
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/homens-na-falesia/#sthash.XT7NReVl.dpbs
Foi graças ao Paulo Alves, que promoveu a divulgação no FaceBook, que vim a ter conhecimento desta preciosidade e não resisti à sua divulgação também nesta plataforma.
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sábado, setembro 27, 2014
A ciência da mentirinha ou a mentirinha da ciência
A notícia publicada pelo Sul Informação e que foi divulgada pela
Elisabete Rodrigues na rede social FaceBook no grupo “Aljezur, imagens de um
concelho” de que também sou membro chamou a minha atenção.
Os números não mentem, mas a forma como são apresentados,
neste caso de forma absoluta, podem iludir o seu verdadeiro significado, face à
sua consideração em termos relativos.
Aqui fica uma pequena divagação sobre o tema,
independentemente de não se fazer um ajuste do conceito de desempregado que,
para o IEFP tem um significado mas que, socialmente, pode ter muitas outras
interpretações. Basta lembrar que se um sujeito que não encontra trabalho não
estiver inscrito no Instituto de Emprego, esta organização desconhece-o e, consequentemente,
não entra na estatística, ou ainda, mesmo estando registado mas se for “deslocado”
para uma formação ou para um estágio(zinho), também passa a ser considerado
noutra categoria, e etc., etc..
Resultados (na net) de um censo de 2012, que poucas
alterações terão para a actualidade, levaram-me a calcular a relação entre o
número de desempregados e a população, chegando assim a umas percentagens da
população de desempregados face à totalidade da população.
Numa perspectiva diferente.
Com efeito, considerando apenas o número de desempregados,
Aljezur aparece relativamente bem posicionado 14º lugar, com apenas 225
desempregados, separado somente por dois outros concelhos para a melhor marca.
|
Concelhos
|
Num Habit 2012
|
Desempregados
|
% Desemp
|
|
|
|
|
|
|
Faro
|
62 281
|
3 223
|
5,17%
|
|
Portimão
|
55 209
|
3 196
|
5,79%
|
|
Loulé
|
69 824
|
2 963
|
4,24%
|
|
Olhão
|
45 216
|
2 312
|
5,11%
|
|
Albufeira
|
40 190
|
1 265
|
3,15%
|
|
Silves
|
36 724
|
1 237
|
3,37%
|
|
Vila Real de Stº António
|
19 067
|
1 123
|
5,89%
|
|
Lagoa
|
22 783
|
1 110
|
4,87%
|
|
Lagos
|
30 776
|
1 038
|
3,37%
|
|
Tavira
|
25 753
|
963
|
3,74%
|
|
S. Brás de Alportel
|
10 552
|
446
|
4,23%
|
|
Monchique
|
5 755
|
301
|
5,23%
|
|
Castro Marim
|
6 588
|
263
|
3,99%
|
|
Aljezur
|
5 724
|
225
|
3,93%
|
|
Vila do Bispo
|
5 223
|
100
|
1,91%
|
|
Alcoutim
|
2 725
|
66
|
2,42%
|
|
|
|||
|
|
444 390
|
19 831
|
4,46%
|
Porém, esses 225 desempregados representam uma percentagem
da população superior à de outros 6 concelhos do Algarve, passando Aljezur para
um menos modesto 10º lugar.
|
Concelhos
|
Num Habit 2012
|
Desempregados
|
% Desemp
|
|
|
|
|
|
|
Vila Real de Stº António
|
19 067
|
1 123
|
5,89%
|
|
Portimão
|
55 209
|
3 196
|
5,79%
|
|
Monchique
|
5 755
|
301
|
5,23%
|
|
Faro
|
62 281
|
3 223
|
5,17%
|
|
Olhão
|
45 216
|
2 312
|
5,11%
|
|
Lagoa
|
22 783
|
1 110
|
4,87%
|
|
Loulé
|
69 824
|
2 963
|
4,24%
|
|
S. Brás de Alportel
|
10 552
|
446
|
4,23%
|
|
Castro Marim
|
6 588
|
263
|
3,99%
|
|
Aljezur
|
5 724
|
225
|
3,93%
|
|
Tavira
|
25 753
|
963
|
3,74%
|
|
Lagos
|
30 776
|
1 038
|
3,37%
|
|
Silves
|
36 724
|
1 237
|
3,37%
|
|
Albufeira
|
40 190
|
1 265
|
3,15%
|
|
Alcoutim
|
2 725
|
66
|
2,42%
|
|
Vila do Bispo
|
5 223
|
100
|
1,91%
|
|
|
|
|
|
|
Total
|
444 390
|
19 831
|
4,46%
|
Mas, conclua-se, a região do Algarve está, percentualmente, afastada
das médias nacionais (13,9% no primeiro semestre 2104).
Para melhor compreensão, também convinha considerar a sazonalidade do emprego na região, entre outros factores cujo estudo e desenvolvimento não cabe nesta superficial avaliação. Quem sabe... um dia.
sexta-feira, agosto 15, 2014
Mais de antigamente...
Em dia de Festa não podia faltar a procissão, ou melhor, as procissões, pois na altura os santos mereciam mais respeito e devoção. Saía uma da Igreja Matriz (a Nova) e outra da Igreja da Misericórdia. No ponto de encontro havia sermão inflamado pelo Pe. Oliveira, ou seus sucessores após a sua ida para Lagoa. As mulheres comoviam-se e os homens, suspendiam o copo e o cigarrito, e lá tiravam o chapéu, tementes na generalidade, que os santos fazem milagres mas também castigam...
Esta é a fotografia possível, registando a viagem da padroeira Senhora D'Alva, do seu altar habitual ao encontros de outros membros da família residentes na vila velha: o Filho, a prima Isabel e o João.
Esta é a fotografia possível, registando a viagem da padroeira Senhora D'Alva, do seu altar habitual ao encontros de outros membros da família residentes na vila velha: o Filho, a prima Isabel e o João.
Procissão da Senhora D'Alva em Setembro de 1965
quinta-feira, agosto 14, 2014
Antigamente...
Vasculhando a caixinha dos retratos num momento de viagem nostálgica, aqui fica a primeira duma série de memórias que se hão-de vir a publicar, de-va-gar-men-te, para manter activo o bichinho da saudade no pessoal daquele tempo.
Aljezur, Largo da Igreja Nova - Jogos Tradicionais em dia de festa - 13 de Setembro de 1965
segunda-feira, dezembro 23, 2013
O Nosso Castelo na Bandeira Nacional
Desde sempre, nos círculos familiares, havia alguém
que conhecia coisas e coisas e nos fascinava com tantas histórias, nos
intermináveis serões das noites de inverno. Na minha família era a Tia. A Tia
sabia de tudo, opinava sobre todos os temas que vinham à baila, fazia
recomendações, sempre para levar a sério, e contava-nos histórias, muitas delas
passavam para as noites seguintes, longas e complicadas que eram. Uma das
vertentes que era frequentemente abordada era a da valentia dos portugueses, e
particularmente dos aljezurenses, nas lutas travadas contra os Mouros e a integração
do Reino dos Algarves nas posses de Sancho II e Afonso III e, consequentemente,
no cognome deste. E aqui vinha sempre a explicação da Bandeira Nacional,
enaltecendo que o Castelo de Aljezur era um dos sete que figuram naquele pendão,
o que para nós nos enchia de orgulho patriótico e regional.
Esta minha Tia juntamente com tantas outras Tias contadoras
de histórias a gerações de aljezurenses, foram assim responsáveis por termos
crescido com este mito, alimentando-o e veiculando-o orgulhosamente aos nossos
descendentes e divulgando-o junto da nossa rede de relações.
Uma obra literária muito interessante que já neste blogue
divulgámos, “Aljezur, Terra Mimosa” de Manuel Garcia (1938) e que constitui
motivo de orgulho para muitos aljezurenses (apesar da Senhora D. Câmara o continuar
a ignorar esquecendo-se uma reedição) refere também esta situação (vide http://barlaventino.blogspot.pt/2011/04/o-brasao-de-aljezur.html).
Também em nosso modesto entender não passa de mais um mito,
possivelmente motivado por um desejo de reivindicar importância para a nossa
terra (e para as outras seis), cuja justificação histórica ainda jaz adormecida nalguma recôndita prateleira da Torre do Tombo.
Conta-se então que os sete castelos da Bandeira Nacional
dizem respeito às últimas conquistas algarvias, e que foram Albufeira, Aljezur,
Cacela, Castro Marim, Estômbar, Paderne e Sagres.
Nem sempre foram sete os castelos da Bandeira, tendo mesmo o
painel de D. Afonso III 16 castelos em dois desenhos diferentes; como foi feita
a sua selecção também não se sabe.
Aqui deixo alguns exemplos das armas nacionais ao longo dos
tempos para melhor podermos apreciar essa evolução.
![]() |
| D. Afonso III - 16 castelos |
| D. Afonso III (diferente disposição, 12 castelos) |
| D. João I (ainda os 12 castelos) |
| D. João II (7 castelos) |
| D. Manuel II (8 castelos) |
![]() |
| Bandeira Actual (7 castelos) |
O nosso objectivo é apenas o levantar duma questão
que subsiste sem resposta: trata-se apenas de um mito, histórico, ou nele está
contida alguma verdade para além do simples desejo que assim fosse?
Fica a dúvida sobre o tema e fica também o desafio:
Desmitifica-se ou passa à História?
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